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O que é o 2 de julho?

O 2 de julho é o resultado de uma ação que começou em 19 de fevereiro de 1822 e termina em 1823. É interessante como cada coisa que acontece antes de certa forma está ligada a este evento. Alguns autores abordam o revolução do Porto, que ocorreu em 24 de agosto de 1820, "forçando" a saída de D. João VI do Rio de Janeiro e dá origem em setembro de 1821, as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, que vai tentar retroceder o status do Brasil, a colonia. É nessa disputa se o país vai ou não voltar a ser colonia de Portugal, que D. Pedro I, rompe com Portugal e declara a "independência" do Brasil.

E onde é que a Bahia entra nessa história se D. Pedro I, declarou a independência do Brasil? Bom, nesse caso precisamos voltar um pouco na história. Entre 1549 e 1759, Salvador era a capital do Brasil, seu primeiro governador foi Tome de Souza, em 1808 a família Real, fugida de Portugal, pois Napoleão invadiu seu território, e sendo escoltada pela marinha da Inglaterra, chega em Salvador em 22 de janeiro, na condição de príncipe regente, D. João VI, passa pouco mais de um mês na cidade onde é convidado há permanecer nela, com a promessa de construir um palácio para ele, mas não aceita, durante esse período, ele fez algumas melhorias na cidade:
  • Ordenou a criação de uma escola Médico-Cirúgica
  • Autorizou a criação da Companhia de Seguros Comércio Marítimo;
  • Concedeu licença para a construção de fabrica de vidro na Bahia;
  • Ordenou a construção de 25 barcas canhoneira;
  • Uma fabrica de pólvora;
  • Uma fundição capaz de refundir canhões fora de uso;
  • Aumentou o contingente de soldados de infantaria em até 1200 homens;
  • Criou dois esquadrão de cavalaria;
Recomendou a construção de uma estrada que ligasse a Bahia ao Rio de Janeiro (Tavares, 2001. p 214, 215)
Apesar dessas ações "beneficiarem" os baianos, outras não teram os mesmos efeitos, a carta regia ou carta de abertura dos porto (como é mais conhecida) assinada em 28 de janeiro 1808, a mesma onde está as ações para com a Bahia. Essa mudança, claramente iria prejudicar a Bahia, e seus habitantes (principalmente os comerciantes). A carta regia, traz consigo outra coisa a abertura dos portos (essa abertura talvez seja um dos detalhes que poucos reparam, mas que 15 anos depois torna a Bahia independente), após a carta regia, outro documento, e esse sim, iria prejudicar ainda mais os baianos é o acordo assinado entre o príncipe D. João IV e o Rei George III da Inglaterra em 1810. Esse acordo facilita ainda mais a importação e exportação de produtos entre esses dois países, e Portugal sem um Rei (1808 a 1821), sofre com esses acordo, como já citei, portugueses e baianos prejudicados com um acordo entre RJ e Inglaterra. Ponto, é importante entender isso para que se compreenda porque a independência do Brasil não acontece simultaneamente no Brasil inteiro. 
Cada província tinha suas politicas diferente uma da outra, Luiz Henrique Dias Tavares, ira dizer em seu livro: Independência do Brasil na Bahia, que cada província tinha seus interesse, o Rio de Janeiro era de um jeito , Minas Gerais de outro e a Bahia de outro e nenhuma delas se entendia. 
Então recapitulando porque são varios eventos: 

  • 23 de janeiro de 1808 - Príncipe regente chega em Salvador/Ba 
  • 28 de janeiro de 1808 - Assinatura da Carta Régia 
  • 19 fevereiro de 1810 - Assinatura entre o Príncipe D. João e o Rei George III 
  • 16 de dezembro 1815 - Brasil e elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves 
  • 24 de agosto de 1820 - Revolução do Porto 
  • 25 de abril de 1821 - Retorna para Portugal e nomeia D. Pedro I regente 
  • 30 de setembro de 1821 - Corte Gerais destituiu todos os governadores das províncias do Brasil
Paramos por aqui nas datas, observem então que: A Bahia era a capital do Brasil, mas "perde" o posto para o Rio de Janeiro. Acordo entre a capital e a Inglaterra não só prejudicam os comerciantes baianos como ingleses, e existe uma pressão muito grande de colocar o Brasil na sua condição de colonia.
Vamos observar o seguinte, as corte gerais destituiu todos os governadores e no lugar deles seriam os governadores de armas, nomeado por Portugal, aqui na Bahia tínhamos o Manuel Pedro Freitas Guimarães, que em 10 de fevereiro de 1821 havia jurado lealdade ao Rei D. João VI, pois bem em 30 de setembro do mesmo ano Portugal declara que não mais haverá governador, e pouco tempo depois nomeia o Brigadeiro Inácio Luiz Madeira de Melo como governador de Armas da Bahia. Quando D. João deixa o Brasil, seu filho assume seu posto, a assembléia de 30 de setembro exige a volta de D. Pedro, que se nega deixar o país, expulsa as tropas portuguesas do Rio de Janeiro e declara a independência. Se Freitas Guimarães, apoia D. João, logo e é contra D. Pedro, esse e o momento que devesse entender qual foi o lado da Bahia, o seu governador era a favor das cortes, então a Bahia continuava fiel a Portugal, e isso só vai mudar, quando em 19 de fevereiro de 1821, Madeira de Melo toma o Forte de São Pedro, e os baianos que agora passam a querer a independência de Portugal, fogem para o Recôncavo Baiano, local também de grande batalha na luta contra os inimigos da causa. 

Maria Quitéria
O 2 de julho, é muito denso e compõem uma história cheia de enredos, a participação a favor da independência de brasileiros e portugueses, diversos personagens que entre eles podemos aqui citar

Manuel Pedro Freitas Guimarães, Inácio Luiz Madeira de Melo (português), Joana Angelica, Maria Quitéria, Maria Felipa, General Pierre Labatut (franceses), Corneteiro Luiz Lopes entre outros personagens que iremos aborda mas adiante.

Posso afirmar que a Bahia possui uma grande participação na história na construção do Brasil, seja ela com a invasão dos portugueses em 1500, a primeira capital do Brasil de 1549 a 1808 e sua contribuição para a separação de Brasil x Portugal.




Por esse motivo, iremos publicar uma serie de postagem referente as etapas do processo de independência da Bahia


Texto
Fabricio Moreira
graduando em História
fabriciotech@gmail.com
71. 99199-6507

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